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​"Libertas que será também"

   Poderia ser apenas mais um relacionamento comum, mas aquele namoro não era algo de praxe e um dos segredos para que aquela relação não caísse na rotina, era a liberdade para se expressar desde nas preferências em um jantar até as ousadias entre quatro paredes.

   A provocação se iniciava quando durante o dia pelo aplicativo de mensagens, trocavam ousadias para impulsionar as noites de prazeres que juntos sempre viveriam.

   Certo dia, ela, a Rainha dessa intimidade toda, sugere ao seu companheiro uma noite um pouco diferente. Ela que já havia reparado na adoração do namorado por seus pés desde a chegada de seu novo Scarpin preto com sola vermelha, usa desta preferência para sugeri-lo uma noite de submisso. Ela baseia sua imaginação em cenas de destaque de um filme popular em plataformas de Streaming e nota que o namorado fica um pouco ressabiado, porém ao insistir que ele confie em tudo ousado e caloroso que está planejando para ambos, ele acata sem titubear. Afinal, segundo ela, aquela noite desbloquearia um novo estágio no relacionamento deles e não existiria algo melhor do que um ápice juntos, após provocações sem medição de pudor ou discriminação do certo e do errado.

Noite mais do que combinada e as horas restantes daquele dia parecem dar ré ao passar. Chega o tão esperado horário dele buscá-la em sua casa. Ela finalmente aparece, montada em um vestido preto modelando sua silhueta com uma fenda na lateral, cabelos compridos e volumosos, uma maquiagem entoando seus olhos cor de mel. Ela estava belíssima, porém não usava o salto scarpin conforme era de se esperar e sim uma sandália salto quinze vermelha, assim como a cor do seu batom. Discretamente a tira colo, ela carregava uma bolsa vermelha também. O que havia naquela bolsa? Será que ela cumpriria o trato da noite de submissão? Estaria ela prestes a realizar os meus desejos mais ocultos?

   A fim de não se assustarem, pois era algo novo para ambos, foram primeiro para um barzinho que gostavam de ir. Luz baixa, penumbra garantida. Ela com seu Mojito e ele com seu chopp preferido. Começamos a conversar sobre tudo, como sempre o fazíamos, porém a saliva da boca começou a secar e um arrepio dominava a nuca como um sinal de que uma noite eloquente estava prestes a começar. Olhares ininterruptos, ela começa a encostar suas pernas por debaixo da mesa nas minhas e a morder os lábios vagarosamente.

   Tensão pairando no ar! Um beijo tímido e molhado no meio do bar, ela busca ao ouvido dele e lança a tenebrosa pergunta: “está preparado?”. Ele sente um frio na barriga, adrenalina toma conta da noite e uma provocação fatal acontece antes deles darem sequência ao ato: ela impulsiona o pé com o salto entre suas pernas para confirmar o nível de seu tesão.

   Confirmação obtida com sucesso! Eles partem para a suíte vinte e cinco do motel, que nenhuma das outras vinte e cinco vezes poderia ter sido igual àquela noite em especial.

   Ainda na garagem, ela o manda ficar caladinho e esperar enquanto arruma uma surpresa. Ele muito ansioso e impaciente, espera, pois, sabe que valerá a pena. Passam poucos minutos e chega a mensagem dela em seu celular: “Hey pode subir, mas hoje quem te leva às alturas sou eu, hein?”.

   A entrada na suíte foi triunfal. Tocava “The Weekend” no fundo, algumas velas brilhavam próximas a cama e lá estava ela e finalmente era possível ver seu scarpin preto novo brilhando em seus pés. Sentada com as pernas cruzadas, ela trazia consigo alguns morangos, uma algema, uma coleira e um chicote.

   Ela, a Rainha, seria uma suposta Cristina Grey? Não importavam rótulos e sim que ela era só dele, aliás, ele era só dela. Dominadora o grudou contra a parede a caminho de uma pegada forte e com intensidade enquanto tirava a roupa dele. Palavras no ar e ele só foca na passagem: “promete-me fazer tudo que eu quiser” e consente sem arrependimentos quaisquer.

   Ele ainda com certo receio, ela livre como nunca, coloca uma coleira no pescoço dele e pede para que ele se ajoelhe e beije seus pés. Enquanto ele beija um pé, o outro ela desliza por suas costas.    Ela o manda tirar seu vestido e neste momento ele tem um encontro fatal com um corpo escultural trabalhado na renda preta. Dando sequência na pegada submissa e frenética, ela passa a vela para pingar suavemente nas costas dele, provocando uma dor leve e saborosa e ainda com os morangos pede para que ele os comesse entre os dedos dos seus pés.

   O ponto culminante foi o encontro de ambos os corpos, de um casal que se amava e decidiu que poderia sim experimentar tudo que quisesse. Entre quatro paredes somente o prazer de ambos importava...

   A gente passa anos nessa sociedade aprendendo que liberdade é diferente de libertinagem e a distinguir o que é certo do que é errado. Seria certo viver anos ao lado de uma pessoa sem poder compartilhar seus desejos mais secretos? Seria libertinagem tudo que envolve estar nu e explodindo de paixão?

   Certo ou errado, liberdade ou libertinagem, a felicidade era rotina para um casal que com tudo e mais um pouco que havia dentro daquela bolsa, viveram as mais intensas aventuras...

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